quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Encontro Livreiro - Lugar de Esperança


Faz hoje um mês que fizemos chegar ao Livreiro da Esperança o nosso Abraço de Parabéns! 

Entretanto, preparámos este cartaz, que reproduz a mensagem de parabéns e os nomes dos subscritores da «Carta Aberta de "Gentes do Livro"», e que ficará como documento e testemunho de que, em Novembro de 2011, aconteceu um extraordinário e genuíno Encontro Livreiro que lançou sementes de esperança no futuro.

Agora que, desde há dois dias, já está nas mãos do Sr. Jorge Figueira de Sousa, divulgamo-lo aqui no blogue e, para facilitar a sua leitura, vamos enviá-lo também por correio electrónico para todos os nossos contactos e para quem no-lo solicite através do nosso endereço: encontro.livreiro@gmail.com.

Aproveitamos para desejar Boas Festas e para relembrar que o III Encontro Livreiro se realizará na tarde do dia 25 de Março de 2012, em Setúbal. Um Bom Ano!

Encontro-Livreiro
Setúbal, 21 de Dezembro de 2011

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

«Porque encerram as livrarias em Portugal?»


{Sugerimos a leitura integral do texto «Livrarias - Onde vivem os livros», de Cristina Carvalho, que aqui reproduzimos apenas em parte, com a devida vénia à autora e ao PNETliteratura, onde foi publicado hoje}.


«Locais bem cheirosos, caos organizado, confusão harmoniosa, mesas e prateleiras, estantes e escadotes, pequenos balcões onde uma pessoa, um alguém aparece atrás de respostas claras para perguntas vagas "olhe, se faz favor, procuro este livro que se chama tal e tal, do autor tal, daquela editora…" e "um momento, vou ver se tenho, é só um instante!" e enquanto o alguém vai e vem, procura e encontra ou procura e não encontra, remexemos e afagamos com o olhar os livros ali à volta, "não tenho esse livro que procura, mas…já conhece este que chegou ontem?" diz, tirando dum caixote um exemplar ainda sem destino de exposição, mas que decerto irá para o primeiro plano que a sua novidade lhe confere.


Conheço belas livrarias em belas cidades portuguesas, espaços de requintado de bom gosto, de atraentes novidades, sempre na “crista da onda” com profissionais preocupados, atentos e diligentes. Também sei - todos sabemos – do esforço que é feito para as conservar na sua digna condição. Lá se fazem encontros e se organizam conversas com escritores e autores variados, lá se confraterniza em tertúlias, lá se toca música, lá convivem as crianças em atividades de fim-de-semana, lá se passam filmes, lá se vai vivendo uma esperança de sobrevivência cultural. Também sei – todos sabemos – do encerramento de muitas livrarias, uma dor difícil de imaginar. E porque encerram as livrarias em Portugal?

Vou tornar a perguntar: Porque encerram as livrarias em Portugal?

Vou perguntar mais uma vez: Porque encerram as livrarias em Portugal?

[...]
 
Uma livraria é um altar de vários cultos. Uma velha (antiga) livraria é um espaço de uma dignidade incomparável na venda livros novos ou manuseados (alfarrabista). Numa boa e antiga livraria, daquelas que por essa Europa fora, em tantas vilas e cidades, são preservadas e conservadas como uma preciosa jóia duma enorme família, os leitores e amantes de livros encontram e têm garantida a paz.

É uma pena, uma dor, é algo que nos fica entalado na garganta cada vez que sabemos de mais alguma que fecha ou que tem de fechar a sua porta. E, geralmente, fá-lo silenciosamente. Fecha e está fechada! É algo que parte para sempre. Não podemos fazer nada! Imagino, posso imaginar as pessoas que as fizeram nascer ou que nelas trabalharam e investiram o seu gosto pessoal, que marcaram essas lojas com o seu estilo, que “serviram” os nossos interesses de leitura e de saber.

[...]

VIVAM AS PEQUENAS LIVRARIAS DAS CIDADES GRANDES!

Adeus, pequenas livrarias de sempre, para sempre na memória!

Cristina Carvalho, Livrarias - Onde vivem os livros», PNETliteratura


«Há uma luz, ao fundo do túnel! Estás a vê-la?»



{Sugerimos a leitura integral do texto «Natal dos Livros», do nosso Livreiro Velho, publicado hoje mesmo no Chapéu e Bengala}

 - Há uma luz, ao fundo do túnel! Estás a vê-la? Parece que algo de bom a crise vai trazer: melhores leitores, melhores leituras.
- Bons conselhos, Livreiro Velho?
- Não será bem o que estás a pensar, julgo eu. Estás supondo que te venho com uma lista de títulos, como duas vezes por ano os jornalistas culturais gostam de fazer, uma no verão – as leituras de férias – outra no Natal – os livros que hás-de oferecer?
- Não me digas que desaprovas!
- Também não é bem isso… Deixemos as listas para tu as fazeres a teu gosto e discernimento.
- Então?

 [...]

Mas deixa-me continuar:
3.º – Vê se consegues dar uma volta por uma boa livraria que te ofereça diversidade e qualidade. Com calma.
Boas livrarias, essas? Oh! Por favor! Também tu, não! Seria de mais! Boas livrarias essas, onde há muito à vista e pouco para ver? Por favor!…
Uma hora tranquila numa boa livraria. E vais ver que, no que te digo, há uma forte razão a favor de quem sabe o que escolhe. Depois dizes-me se encontraste ou não um livro «mesmo, mesmo…»?
4.º – Já agora, para acabar: como vai a crise levar as pessoas a ler mais e a escolher melhor os seus livros?
Mais esta semana para vermos, nas livrarias também,  como vai a crise dos bolsos, a real, e a outra, a crise das cabeças, a psicológica, aquela com que, para mais facilmente nos conformarmos com o jugo, políticos e financeiros nos atacam, a culpar-nos dos seus desmandos, guerras secretas e surdas, ambições desmedidas de poder e dinheiro, onde os crimes em águas turvas são dos tais que de vez em quando vêm ao de cima.

- E será que ler mais e melhor nos vai ajudar a resistir à crise?
- Há quem pense que…
Queres ver? Por acaso ou de propósito, guardei aqui sobre a mesa para te pedir que releias agora, nesta quadra, umas palavras que sublinhei.
Penso que também as leste na altura, mas nada se perde em  as relermos por boa introdução a esta última semana do «Natal dos Livros».

Ora, o problema do colapso económico, da provável redução dos nossos luxos, pode ter consequências muito boas. Quando as coisas estão mal, muito mal, as pessoas começam a ler com seriedade, a ler melhor ( George Steiner, «A Necessidade de Ler», revista Ler, n.º 100, Março de 2011, pág. 31).

L. V.


domingo, 11 de dezembro de 2011

«Livros-EL: do princípio ao fim» - devido destaque para o imediato e substantivo comentário de Onésimo Teotónio Almeida

Meu caríssimo Manuel:
Quando li aquele artigo, surgido curiosamente na primeira página do NYTimes, rejubilei e teclei logo aquela nota alegre a partilhá-lo. Mas não sou irrealista nem, sobretudo, bruxo. Não faço ideia de em que lado da balança vão continuar a crescer as estatísticas. Se calhar o e-book vai aumentar ainda mais as vendas. Se isso significar que mais gente vai passar a ler, óptimo. Se se tratar apenas de mudar de suporte, fico com pena porque gosto à brava de livros de papel. E por inúmeras razões. Sei que há milhares, milhões de resistentes, todavia não sei se o gosto do livro-papel morrerá com eles e as gerações vindouras passarão a desde cedo a habituar-se e a tomar gosto ao e-book, como as gerações a seguir aos papiros fizeram em relação aos livros de papel encadernado.
Entretenho-me com a ideia de que o telefone não deu cabo das cartas, a rádio não deu cabo dos jornais, nem a TV matou a rádio. Espero só que a analogia seguinte entre e-book e livro papel caia nesta categoria e passem a coexistir pacificamente os dois, quer dizer, que não seja uma sequência análoga ao computador, que matou a máquina de escrever, ou o e-mail que está quase a matar definitivamente a carta. No caso da máquina-de-escrever, não vejo razão para saudades. Só o eliminar do ruidoso bater do teclado dá para saudar o computador. Quanto à eventual morte do livro-de-papel, desejo sinceramente nunca ter de chegar a ter saudades.
Confesso que mais nada sei sobre o assunto.
Um grande abraço do
onésimo
11 de Dezembro de 2011 12:42

sábado, 10 de dezembro de 2011

«Ainda há esperança para as livrarias tradicionais.»


Ainda há esperança para as livrarias tradicionais. Sempre que vou à Madeira, como fiz na semana passada, não posso deixar de ir à Livraria Esperança, bem no centro do Funchal (Rua dos Ferreiros, 119 e 156, há uma sede e uma sucursal, em frente uma da outra, a sucursal é bem maior que a sede), que é uma das maiores livrarias do mundo: tem 106 000 livros expostos em 1200 metros quadrados. Guiou-me pela velha mansão, onde de modo labiríntico, se expõem as capas de todos os livros (muitos pendurados de forma curiosa nas paredes, de modo que alguns têm de ser "pescados" com uma cana), o feliz proprietário, o Senhor Jorge Figueira de Sousa, que fez 80 anos a 21 de Novembro. A livraria remonta a 1886 e foi do avô e do pai. Como o Senhor Sousa e a sua esposa, que lá continuam a trabalhar todos os dias, não têm filhos, foi criada uma Fundação, com participação dos empregados, para assegurar o futuro da livraria. O proprietário não se esqueceu de me mostrar o belo tecto da sala onde estão os livros de história e a vista para os telhados o Funchal da sala dos livros de Direito. Os livros de divulgação científica estão ao subir das escadas, quem vai da história para o direito.

A eficiência é garantida e pude testá-la. 
[...]
Enquanto estiver o Senhor Sousa à frente da Esperança, há esperança de os encontrar pois cada livro vendido é imediatamente reposto com pedido à editora. Isto é o "Darwin aos Tiros" só deixa de haver quando se vender o último e a editora não tiver nem mais um para mandar. Só assim se consegue manter a maior livraria de fundos portuguesa.

Muitos parabéns Senhor Sousa! Por sua causa é sempre um gosto ir ao Funchal. 
[...]

«Podemos, para este nosso convívio, pedir a Onésimo Teotónio Almeida, um pouco mais do seu observar e reflectir sobre estes nossos assuntos?»


LIVROS-EL: do princípio ao fim



Livro ELectrónico é bom para ler?
Quem diz que sim levanta o braço!
Agora quem diz que não!

Livro em papEL é bom para ler?
Quem diz que sim?
Quem diz que não?

«As vendas líquidas de e-books cresceram para cerca de 50 milhões de euros em Janeiro de 2011, face aos 23 milhões de euros do mesmo período de 2010. A venda de livros de capa dura caiu de cerca de 40 milhões de euros em Janeiro de 2010 para 35 milhões no mesmo período de 2011. Títulos de capa mole caíram 30% no mesmo período». http://oml.com.pt/blogs/category/e-book/

Fora do contexto, uma citação não vem servir de resposta, vem só trazer uma chave para…
De quantos milhões de livros com «el» de livro de papel ou de livro electrónico se alimentou a leitura de Janeiro de 2010 a Janeiro de 2011?
A meu ver, para um livreiro que, lendo esta citação e o mais do antes e depois dela, queira pôr-se a discutir, a sós com os seus botões, o futuro da sua profissão, é esta uma bem melhor pergunta.

E não há que discutir esse outro assunto: «livros em papel condenados a desaparecer»?
Os e-books a precipitarem-nos no puro passado em que eles, grande malvadez!, fizeram desaparecer os livros em pergaminho & c.ia.

Em boa hora uma crónica honrosa de um dos melhores cronistas portugueses actuais, Onésimo Teotónio Almeida, escrita e aqui lida entre nós em cima do acontecimento 
(«Na primeira página do New York Times desta manhã»), traz o tema a um blogue como este do Encontro-Livreiro que por sinal até dá pelo nome de «ISTO NÃO FICA ASSIM!».
E não deixei de prestar atenção ao sentido dos comentários que suscitou.

Já noutros sítios e por várias vezes, tal como o do futuro das livrarias, este assunto do futuro do livro em papel surgira a meus olhos ou ouvidos no discurso de Onésimo Teotónio Almeida.
Futuros um e outro para nós muito importantes, sem dúvida, numa hierarquia dos muitos temas que têm de ocupar - e digamos que também preocupar - quem vive dedicado ao Mundo dos Livros e da Leitura.

Muito importantes!
E por isso é tão mais gratificante este vir ter connosco de Onésimo Teotónio Almeida quanto, sendo ele um intelectual de reconhecida autoridade, a sua reflexão nos parece e aparece como uma muita dedicada e até preocupada atenção.
Podemos, para este nosso convívio, pedir a Onésimo Teotónio Almeida, um pouco mais do seu observar e reflectir sobre estes nossos assuntos?
Sem querer dar trabalho, mas apenas numa hipótese de gosto de comunicar com quem tem prazer e interesse em debater estes temas.

M. Medeiros

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Este é um daqueles casos em que a uma culpa se deve aplicar a consagrada fórmula: «feliz culpa!».


O que lemos na LER é «UMA SÓLIDA E GENUÍNA LIÇÃO DE SOLIDARIEDADE»

1
Ver:
- « Ler, Dezembro de 2011, nº 108, p. 2: João Pombeiro, in ‘Editorial’».
- http://encontrolivreiro.blogspot.com/

2
Se não me curvasse em muito respeito perante o que vem escrito na primeira pessoa por João Pombeiro no editorial da revista Ler – Livros & Leitores deste mês de Dezembro de 2011, perderia todo o direito de voltar a manifestar o meu empenho nas causas do livro, da leitura, das livrarias e dos livreiros. Esse direito prezo-o.
Este é um daqueles casos em que a uma culpa se deve aplicar a consagrada fórmula: «feliz culpa!».

3
A esta referência de João Pombeiro à homenagem que umas centenas de pessoas quiseram para o «Livreiro da Esperança», Jorge Figueira de Sousa, na feliz passagem dos seus oitenta anos, ajustam-se inteiramente estas palavras que dela copiei para título deste post: «uma sólida e genuína lição de solidariedade». Estamos de acordo, creio eu, todos os que subscrevemos a «Carta Aberta».

4
Genuína, porque não parte da cena final.
Esperara para ver, como sabemos que outros fizeram (embora não se possa  saber).  
Acabando por ver que era «um gesto que nos deve comover», fazia-lhe referência, respeitando, sim,  mas em estilo de repórter, não neste, tão pessoal e genuinamente solidário. 

5
Sólida, porque se afirma como desconfiança antes de vir ao convencimento. Nada mais comovente para quem à partida se arrisca a lançar uma qualquer iniciativa cuja eficácia depende da pura liberdade de outras pessoas do que este reconhecimento de quem partiu da desconfiança.

6
Daí vem uma comovente e sólida lição:
vale a pena acreditar, porque são muitos mais do cremos os que preferem o melhor.
Em muitos casos e causas bastaria que…  

7
Comovente, disse. Mas o mais comovente é João Pombeiro, na sua responsabilidade de director da Ler, vir apresentar-se como testemunha de que na iniciativa transpareceram, acima de qualquer outro sentir, um empenho e um gosto muito humanos  em que o Sr. Jorge Figueira de Sousa se surpreendesse e se sentisse feliz com este modo de festejarmos os seus anos, nós, todos os que de um ou outro modo nos entendemos como «Gentes do Livro», não querendo agora discutir o conceito, e que assim quisemos, por nossa assinatura numa carta, levar-lhe o nosso respeito, carinho e reconhecimento.

8
No dia 21 de Novembro de 2011, a meio da tarde, a voz do livreiro Jorge Figueira de Sousa, o Livreiro da Esperança, como já foi e será definitivamente distinguido, era, de facto,  a de uma pessoa feliz, de uma felicidade espontânea, transparente, simples e natural. Nenhuma melhor compensação seria tão preciosa para quantos acrescentámos um bocadinho de alegria à festa que sempre seria a passagem do seu 80.º aniversário. De novo estamos de acordo, creio eu, todos os que…

9
João Pombeiro, director da Ler: «uma genuína e sólida lição» de um criador de opinião com responsabilidades no Mundo do Livro.
Aprendida por a quem ela chegou e deve chegar?
Aprendida para levar a quê?

Livreiro Velho

[Publicado ontem no Chapéu e Bengala]

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

«Faço um "mea culpa". E assino-a agora aqui, em editorial.»

«Confesso que a primeira vez que recebi a "Carta Aberta das 'Gentes do Livro'" pensei que seria mais uma das muitas iniciativas louváveis que se eclipsariam em poucos dias ou semanas. Talvez fosse pela expressão "gentes do livro", por vezes utilizada sem sentido. Recebi uma, duas vezes, e acabei sempre por adiar, deixando para depois o que devia ter feito no primeiro dia. Faço um mea culpa. E assino-a agora aqui, em editorial. Porque, ao contrário de outras, esta carta aberta veio a revelar-se uma sólida e genuína lição de solidariedade, uma homenagem sentida de centenas de livreiros, editores, escritores, bloggers, críticos, tradutores, jornalistas, professores (e tantos outros), um gesto que nos deve comover - a lista pode ser consultada em encontrolivreiro.blogspot.com. "Jorge Figueira de Sousa continua firmemente no seu posto e é para todos nós, 'gentes do livro', um exemplo de vida e uma figura que muito honra a classe profissional dos livreiros portugueses, por vezes tão esquecida, não obstante o lugar central que ocupa no que deveria ser um fundamental desígnio nacional: a promoção do livro e da leitura", lê-se na missiva enviada para a Presidência da República, Presidência do Conselho de Ministros, Secretaria de Estado da Cultura e Governo Regional da Madeira.
Jorge Figueira de Sousa, livreiro da Esperança (Funchal), fez 80 anos a 21 de novembro, e os signatários da carta aberta gostavam de ver o seu esforço reconhecido publicamente pelo Estado. Nada de mais justo para quem, longe de pensar em protagonismos, tem desenvolvido um trabalho notável e perseverante. A história da Esperança, fundada em 1886, é uma saga familiar que vem do tempo do seu avô, Jacintho Figueira de Sousa, passou pelo pai, José Figueira de Sousa, e continua com este homem que garante levar "165 anos de prática de livraria - 50 do meu avô, 50 do meu pai e 65 meus". Tem hoje perto de 106 mil livros, expostos em 1200 metros quadrados, neste que é "o primeiro estabelecimento comercial no Funchal e na Madeira a vender exclusivamente livros". Preocupado com o futuro, o livreiro madeirense constituiu há pouco a Fundação Livraria Esperança "para que exatamente ninguém possa querer acabar com isto", afirmou à agência Lusa, "e destina-se a distribuir livros às crianças da Madeira e Porto Santo para difundir hábitos de leitura".»

João Pombeiro
, in «Editorial», Ler, Dezembro de 2011, nº 108, p. 2.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Os salvadores do livro?

Na primeira página do New York Times desta manhã um artigo sobre o backlash, espécie de contra-ataque reactivo das editoras a ver se conseguem deter o triunfo rompante e impante do e-book [‘Selling Old-Style books by Their Guilded Covers’]. Estão agora a esmerar-se no lado livro-objecto-de-estimação e as capas, bem como todo o aspecto estético, ganham importância fundamental, já que no conteúdo, mesmo sendo idêntico tanto na edição electrónica como na de papel, perdem para a competição, o cada vez mais apelativo e-book.

Infelizmente isso fará subir o preço porque as capas de alguns vão ser quase objets d'art, no entanto as editoras prometem, na maioria dos casos, não exagerar. É só mesmo fazer com que o comprador goste de ter um livro que dê consolo ao manuseio e para que se olha com afecto.

O artigo continua numa página interior, tomando-a quase toda. Termina com uma citação de Julian Barnes que, ao aceitar em Londres o Man Booker Prize pelo seu livro mais recente The Sense of an Ending, já em português, O Sentido do Fim, que ainda não comprei mas vou mesmo comprar porque o homem lê-se com gosto, disse: Aqueles de vocês que já viram o meu livro, provavelmente concordarão que é um belo objecto. E se o livro físico, como se lhe tem agora chamado, vai resistir ao desafio do e-book, terá de ter um aspecto digno de se comprar e de se guardar.

Pois é isso aí. Quer dizer: agora é que vai fazer sentido aquele aviso da cultura anglo-americana: Don’t judge a book by its cover.

Eu, que continuo a resistir ao e-book, leio e rejubilo com esta notícia. No meio de tantas más, para além da descida da taxa de desemprego nos States, esta não pode deixar de me afagar pelo menos tanto como o sol que me entra pela janela nesta outonal e plácida manhã de domingo, de evocar aquele belo poema de Roberto de Mesquita, um dos únicos alegres dessa melancólica alma cativa.

4 do Dezembro de 2011

Onésimo Teotónio Almeida


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

«Ataques em curso e em força às livrarias»


«A REVOLTA DAS FONTES

Nesta Época de Natal/2011 o ataque em força «dos mercados» à sobrevivência das livrarias independentes é um repolho que não se acaba de «desembrulhar». Tantas são as fitas e os laços!
Que os coelhos, as galinhas e os porcos se alegrem, que há-de haver uma folhinha de couve para cada um, apesar da crise.
[...]
Quanto a mim, eu volto. Pelo menos desejo voltar. Porque, se a revolta partir das fontes, pode confiantemente dizer-se que isto não fica assim.

L. V.


Ler texto, na íntegra, em Chapéu e Bengala.


«olhó livro! olhólivrinho! é pó meninepámenina!»

«[...]
O texto é surripiado ao Cadeirão Voltaire e serve perfeitamente.
Referências ainda no ENCONTRO LIVREIRO, que nos chamou a atenção para o assunto.
O original é da nossa amiga Isabel Castanheira, com quem nos solidarizamos e que, apesar de ter fechado a sua livraria, continua a alimentar o seu blogue CAVACOS DAS CALDAS.»


Joaquim Gonçalves, in Livreiro de Sines.

«Vale a pena ler [...] e pensar um bocadinho nas consequências das feiras do livro-cogumelo [...]»

«Vale a pena ler o texto assinado por Isabel Castanheira, que há bem pouco tempo teve de fechar as portas da Livraria 107, nas Caldas da Rainha, e pensar um bocadinho nas consequências das feiras do livro-cogumelo, que aparecem em cantos e recantos das cidades, com preços impossíveis de garantir nas livrarias e tantas vezes criadas pelas mesmas entidades que hão-de lamentar, não tarda nada, que essas livrarias tenham tido de fechar as portas.»

Sara Figueiredo Costa, in Cadeirão

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Assim não há livraria que aguente!

[A REVOLTA DAS FONTES VII]


«Hoje ao abrir o meu email deparei com uma mensagem com origem na ACCCRO, a divulgar a realização de uma Feira do Livro promovida pela Associação Olha-te.

Agradeço a informação mas não posso deixar reflectir sobre a mesma.


- fechei a Loja 107 no final de Setembro deste ano, porque a concorrência não me permitia a realização de um volume de vendas que me permitisse fazer frente ao volume de despesas.


Sempre paguei os meus impostos, sempre cumpri os meus deveres para com os meus empregados, sempre paguei as quotas à Associação Comercial.

[...]

E isto depois de assistir a movimentos de pesar pelo fecho da minha Livraria. Que veracidade existirá nessas atitudes?

A principal responsabilidade cabe às Editoras / Distribuidoras que participam nestas acções, em concorrência directa com quem exerce o comércio livreiro no seu dia a dia.

Nada tenho contra as Associações que prestam o seu serviço cívico. Também presto voluntariado em associações de carácter humanista.

[...]

Assim não há livraria que aguente!

[...]

Mas a mim, ainda me dói muito o fecho da minha Livraria....»


E há que divulgar, divulgar, divulgar...

Referências:
Cadeirão Voltaire
Livreiro de Sines
Chapéu e Bengala

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Ainda a Carta Aberta de «Gentes do Livro»

No passado dia 21 de Novembro, dia do 80º Aniversário do Livreiro da Esperança, chegou ao fim, com 327 subscritores, a subscrição pública da Carta Aberta de "Gentes do Livro".

Sugerimos aos que não o conseguiram fazer a tempo, e ainda queiram expressar o seu apoio a esta iniciativa, que o façam através da caixa de comentários.


Obrigado.

Encontro-Livreiro
.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Mensagem do Gabinete do Senhor Primeiro Ministro

Por obséquio do Sr. Jorge Figueira de Sousa, publicámos ontem a Mensagem que lhe foi dirigida, no dia do seu 80º Aniversário, pelo Senhor Representante da República para a Região Autónoma da Madeira, a quem também era dirigida a nossa «carta aberta».

Pelo respeito que nos merecem todos quantos aderiram, entusiasticamente e sem reservas, a esta iniciativa, julgamos ser de nossa obrigação divulgar também aqui e agora a mensagem que, por correio electrónico do dia 14-XI-2011, nos foi remetida pelo Gabinete do Senhor Primeiro Ministro.

Encontro-Livreiro



Exmos(as). Senhores(as),

Encarrega-me S. Exa. o Primeiro Ministro de agradecer o vosso correio electrónico de 10 de Novembro passado e de informar que o assunto, que mereceu a melhor atenção e simpatia, foi remetido, nesta data, para S. Exa. o Secretário de Estado da Cultura.

Com os melhores cumprimentos,

Paula Pereira

Descrição: Descrição: Descrição: Descrição: Descrição: D:\<span class=

Gabinete do Primeiro-Ministro

Paula Pereira

Adjunta do Gabinete do Primeiro-Ministro


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Mensagem do Senhor Representante da República para a Região Autónoma da Madeira

[clicar na imagem para a ampliar e ler mensagem]


Mensagem publicada por obséquio do Sr. Jorge Figueira de Sousa.

Livreiro da Esperança



Caro Sr. Jorge Figueira de Sousa,

É com imensa alegria que festejamos a passagem do seu 80º aniversário, como de alguém que é um exemplo, não só para a classe profissional dos livreiros portugueses, mas também para todas as «gentes do livro», pela história de que é herdeiro e pelo exemplo de vida, de persistência, de resistência e de visão e esperança de futuro que continua a transmitir às gerações actuais e vindouras.

Parabéns! Pela vida e pelo exemplo!

Ao propor às entidades oficiais e ao país um merecido reconhecimento público, procurámos chamar a atenção para o seu exemplo e também para o papel fundamental que os livreiros desempenham na concretização do que deveria ser um verdadeiro desígnio nacional:

a promoção do livro e da leitura como alicerce de um país mais culto, logo mais justo, mais livre e mais feliz.

A adesão à «Carta Aberta de "Gentes do Livro"», que estará em subscrição pública até ao final do dia de hoje, atesta a justeza do nosso objectivo inicial e confirma-o a si como Livreiro da Esperança. Sempre o foi, no sentido particular do termo. Também o é e sempre será, no sentido universal que o mesmo termo naturalmente comporta. Porque soube manter e desenvolver os sonhos de seu avô Jacintho e de seu pai José, mas também preparar o futuro, mantendo a esperança na Leitura, no Livro e na Livraria.

Sendo hoje um dia de festa muito especial para o Caro Amigo Jorge Figueira de Sousa, não queremos deixar de cumprimentar respeitosamente sua esposa, D. Maria de Lurdes, que, sabemo-lo bem, mas alguns depoimentos fizeram questão de no-lo recordar, é merecedora do nosso reconhecimento e da nossa admiração, enquanto precioso esteio, lado a lado com o seu marido, de uma empresa livreira que hoje não temos receio de classificar como uma autêntica universidade livreira para todos quantos estão nesta actividade como livreiros e não como meros vendedores de papel. Saudamos também, porque este projecto prova que só tem passado, presente e futuro o que se constrói em equipa e com alicerces bem firmes, todos os colaboradores e associados da Livraria Esperança, os de ontem, os de hoje e os de amanhã.

Um bom dia de aniversário, com saúde e muita alegria, junto dos que lhe são mais queridos, aos quais nos associamos num brinde de parabéns!

Com a amizade, a estima e a admiração

de todos quantos aqui fomos chamados

por um desejo de o ver devidamente homenageado

neste dia feliz dos seus 80 anos,


Encontro-Livreiro


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

CARTA ABERTA DE «GENTES DO LIVRO»

No passado dia 21 de Novembro, dia do 80º Aniversário do Livreiro da Esperança, chegou ao fim, com 327 subscritores, a subscrição desta Carta Aberta. Sugerimos aos que não o conseguiram fazer a tempo, e ainda queiram expressar o seu apoio a esta iniciativa, que o façam através da caixa de comentários. Obrigado. Encontro Livreiro.

Senhor Presidente da República
Senhor Primeiro Ministro
Senhor Secretário de Estado da Cultura
Senhor Representante da República para a Região Autónoma da Madeira
Senhor Presidente do Governo Regional da Madeira
Senhor Secretário Regional da Educação e Cultura da Madeira

No próximo dia 21 de Novembro de 2011, o livreiro Jorge Figueira de Sousa, da Livraria Esperança - «primeiro estabelecimento comercial no Funchal e na Madeira a vender exclusivamente livros» - completa 80 anos de vida.

Continuador de um sonho e de um projecto iniciado pelo seu avô, Jacintho Figueira de Sousa [1860-1932], e mantido pelo seu pai, José Figueira de Sousa [1899-1960], Jorge Figueira de Sousa, nascido no Funchal no dia 21 de Novembro de 1931, continua firmemente no seu posto e é para todos nós, «gentes do livro», um exemplo de vida e uma figura que muito honra a classe profissional dos livreiros portugueses, por vezes tão esquecida, não obstante o lugar central que ocupa no que deveria ser um fundamental desígnio nacional: a promoção do livro e da leitura como alicerce de um País mais culto, logo mais justo, mais livre e mais feliz.

Porque julgamos que o Livreiro Jorge Figueira de Sousa, pelo seu exemplo de juventude, tenacidade e persistência, é merecedor de público reconhecimento, rogamos a V. Ex.as se dignem honrá-lo com a distinção tida por conveniente e justa nesta circunstância.

Encontro Livreiro, 5 de Novembro de 2011

OS SUBSCRITORES:

Luís Guerra – Editora Assírio & Alvim (Lisboa)
Manuel Medeiros
– Livraria Culsete (Setúbal)
Fátima Ribeiro de Medeiros
– Professora e Investigadora de Literatura (Setúbal)
Sara Figueiredo Costa
- Blogue «Cadeirão Voltaire», jornalista e crítica literária (Lisboa)
João Reis Ribeiro
- Professor (Setúbal)
Rosa Azevedo
– Blogue «Estórias com Livros», ex-livreira, produtora na Ordem dos Arquitectos (Lisboa)
Onésimo Teotónio Almeida
- Professor, Brown University, Providence, RI (EUA)
Vanda Nunes de Viveiros
- Livreira (Lisboa)
Nuno Fonseca
– Escritor (Lisboa)
J
osé Xavier Anjo de Sena Ezequiel - Cidadão nº 07194147, Redactor profissional (publicidade e imprensa), romancista e, sobretudo, leitor (Seixal)
Teresa Sá Couto
- Professora (E. S. Fernando Lopes Graça) e analista literária
Joaquim Gonçalves
– Livreiro, A das Artes (Sines)
Eurídice Gomes
– Assistente Editorial (Lisboa)
Helena Girão Santos
- Livreira, Livraria Fonte de Letras (Montemor-o-Novo)
Isabel Castanheira
- Livreira, blogue «Cavacos das Caldas» (Caldas da Rainha)
Maria Alexandra Cunha Vieira
- Arquivo Livraria (Leiria)
Marta Peixoto
- Livreira, Livraria Capítulos Soltos, blogue «Os Livros Tristes» (Braga)
António Costa
– Programador (Comissário Programação Cultural da Feira do Livro do Porto)
Nuno Medeiros
– Sociólogo e professor (Setúbal)
Gonçalo Mira
– Crítico Literário (Viseu)
Isabel Maria dos Santos Ramalhete
- Livreira (Lisboa)
Inês Fialho Espada
- Livreira (Oeiras)
Cristina Rodriguez
- Tradutora (Seixal)
Artur Guerra
- Tradutor, professor bibliotecário (Seixal)
Isabel Mendes Ferreira
– Escritora (Lisboa)
José Colaço Barreiros
– Tradutor (Lisboa)
Francisco Belard
– Jornalista (Lisboa)
Jaime Bulhosa
– Livraria Pó dos Livros (Lisboa)
Viriato Teles
– Jornalista e escritor (Lisboa)
Damião Medeiros - Gestor de projecto (Azeitão)
Hélia Sampaio -
Bancária (Azeitão)
José Gonçalves
- Vendedor (Almada)
Artur Goulart Melo Borges – Coordenador do Inventário artístico da Arquidiocese de Évora
Pedro Vieira - Ilustrador e criativo do Canal Q/Produções Fictícias (Lisboa)
Dina Silva
- Professora do Ensino Secundário (Sines)
Célia Costa
- Produtora Cultural (Lisboa)
Maria do Céu Pires
- Professora (Estremoz)
Helena Carneiro – Estudante (Lisboa)
Ana Teixeira
- Relações Públicas (Lisboa)
Samuel Velho
- Livreiro (Lisboa)
António Figueira -
Jurista (Lisboa)
José Moças
– Editor, Tradisom Produções Culturais (Vila Verde)
Antero Braga
– Livreiro, Prólogo / Lello (Porto)
Urbano Bettencourt
– Professor e escritor (Universidade dos Açores – Ponta Delgada)
Emanuel Amorim
– Jornalista (Lisboa)
Bruno Malheiros
- Livreiro, Livraria Capítulos Soltos (Braga)
João Cardoso
– Livreiro (Parede)
José Agostinho Baptista
- Poeta (Lisboa)
José Tolentino Mendonça
– Poeta (Lisboa)
Hugo Miguel Costa
- Livreiro, blogues «O silêncio dos livros» e «O café dos loucos» (Portimão)
Ana Júlia Medeiros da Silva
- Técnica Superior de Gestão Documental (Setúbal)
Sandra Simões - Livreira, Letraria (Algés)
Livreira Anarquista - Livreira Interdimensional
Adelino Abrantes - Vendedor (Lisboa)
Maria de Lurdes Guerra
– Professora (Seixal)
Manuel Rosa – Editora Assírio & Alvim (Lisboa)
Carol Vanessa Carvalho
– Livreira, A Benda (Viana do Castelo)
Olegário Paz
- Professor reformado e ensaísta (Amadora)
Carolina Freitas - Jornalista (Lisboa)
Paula Carvalho - relações públicas (Marinha Grande)
Carla Major - Dharma Livraria (Mem-Martins, Sintra)
Bruno Monteiro - BI nº 11885977, blogue «Ainda que os Amantes se Percam (Pinhel)
Lídia Salvador Silva - Física (Lisboa)
Carlos Meirinho Carrilho Rito - Paulinas Editora (Lisboa)
Bruno Antunes - Livreiro, AL - Antunes Livreiros (Braga)
Amélia Pais - Professora aposentada e autora, blogue «Ao Longe os Barcos de Flores» (Leiria)
Teresa Cunha - Livreira, Salta Folhinhas (Porto)
Gonçalo André Andrade Pereira - Desempregado (Águeda)
Francisco Miguel Valada - Intérprete de Conferência (Bruxelas)
Andreia Brites - Mediadora de leitura, blogue «O Bicho dos Livros» (Lisboa)
Bruno Porta Nova - Tradutor (Barreiro)
Jorge Paes da Cunha Freire, Tradutor (Lisboa)
Manuel Guerra - Estudante, Escola Superior de Teatro e Cinema (Lisboa)
Maria João Freire de Andrade - Tradutora (Lisboa)
Dina Ferreira da Silva - Livraria Poetria XXI (Porto)
Paulo Ferreira Ramos - Tradutor, paginador, editor (Lisboa)
Carlos Barbosa - Gráfico (Odivelas)
Berta Madureira - Leitora (Oeiras)
João Ventura - Professor Universitário (Lisboa)
Ana Lemos - Coordenadora editorial / revisora de texto (Porto)
Marta Cravo - Livreira, Almedina (Lisboa)
Ana Luísa Pires - Massoterapeuta / Secretaria (Barreiro)
António José Araújo Silva - Técnico Controle de Qualidade (Lisboa)
Helena Trindade Lopes - Professora Universitária (Lisboa)
Manuel Bonjardim - Livreiro, Livraria Bracara (Braga)
Carlos Ademar - Escritor, blogue A-de-Mar (Alenquer)
António Alberto Alves - Livreiro, Traga-Mundos (Vila Real)
Jorge Fallorca - Escritor e tradutor, blogue «O Cheiro dos Livros» (Algarve / Lisboa)
Ana Rita Fernandes, Livreira, Bulhosa Livreiros (Lisboa)
Maria Emília Nicolau - Assistente Social (Parede)

Leonor Fernandes - Livreira, Bulhosa Livreiros (Lisboa)
Vítor Amaral Dias - Consultor de Comércio Internacional (Loures)
Raul Albuquerque - preocupado com os profissionais das profissões, ocupado com as pessoas
(Funchal)
Tiago Cabral - Leitor
José Manuel Matias - Delegado comercial (Amadora)
Daniel Santos Duarte - Editor (Lisboa)
Vítor Coimbra - Editor (Lisboa)
Nuno Teixeira - Livrarias Almedina (Coimbra)
Ana Margarida da Esperança Bernardo Salgueiro Rodrigues - Doutoranda em Estudos de Cultura na FCH-UCP, investigadora no CECC (Lisboa) e no CEHA (Funchal)
Maria Armanda de Sousa Pais Mega de Andrade - Médica (Viseu)
Patrícia H. Brito - Cientista (Lisboa)
Cristina Bartleby - escrivã e filiada na Livraria Esperança desde 1966 (Funchal)
Maria do Carmo Figueira de Sousa Abreu Gavinho - professora / tradutora (Lisboa)
Sílvia Alves - escritora, blogues «7leitores» e «Os Meus Livros» (Leiria)
Carlos Alberto Machado - Escritor, blogue «transeatlântico» (Lajes do Pico)
Rita Pimenta - Jornalista, blogue «Letra pequena» (Setúbal)
Maria de Lourdes Soares - Autora de Literatura Infanto-Juvenil, Professora AP (Lisboa)
Eduardo de Freitas - Sociólogo, blogue «theca libraria» (Lisboa)
Duarte Mendonça - Bibliotecário e investigador (Funchal)
Rui Mesquita - tradutor (Porto)
Viriato Soromenho-Marques - Professor universitário (Setúbal)
Marcelo Rebelo de Sousa - Professor de Direito (Lisboa)
Pedro Tamen - Escritor (Palmela)
Amândio Teixeira Pinto - Professor universitário (Vila Nova de Gaia)
Sandra Oliveira Silva - Livreira na Fnac Chiado, leitora e tradutora (Lisboa)
Brissos Lino - Docente universitário (Setúbal)
Fernando Paulino - Poeta e professor (Setúbal)
Manuel Cardoso - Médico-veterinário e escritor, blogue «A drive in my country» (Macedo de Cavaleiros)
Eduarda Gonçalves - Professora aposentada (Setúbal)
António Moniz - Professor da FCSH-UNL (Lisboa)
Leopoldino G. Flores - ex-comercial do livro durante cerca de 40 anos, aposentado (Mafra)
Carlos Manuel de Faria e Almeida Santos - Poeta, advogado, consultor, assessor principal aposentado da Administração Pública (Setúbal)
Alexandrina Pereira - Poetisa
António Cunha Bento - Reformado (Setúbal)
Helena de Sousa Freitas - Jornalista, doutoranda no CIES (ISCTE-IUL) (Setúbal)
Rodrigo Ferrão - Livraria Almedina, blogue «Clube de leitores» (Porto
Vamberto Freitas - Leitor de língua inglesa Universidade dos Açores (Ponta Delgada)
José Carlos R. Correia - Colaborador do Grupo Almedina (Coimbra)
Adoa Coelho - Escritora, blogue «Gaia» (Frankfurt)
António Marrachinho Soares - Advogado (Lisboa)
Ana do Carmo Afonso Monteiro - Estudante de Antropologia (Chaves)
Fernanda Esteves - Poetisa e escritora (Setúbal)
Ema Inácio - Animadora sociocultural, blogue «terra.corpo» (Setúbal)
Clara Saraiva - Antropóloga, professora Universidade de Lisboa (Lisboa)
Sérgio Soares - Livraria Soares (Pombal)
Ana Paula Faria - Editora, Gatafunho (Lisboa)
Teresa Carvalho Figueira - Artista Plástica (Lisboa)
Teresa Paulino - Livraria Planeta Azul (Ponta do Sol, Ilha da Madeira)
António Trabulo - Médico, blogue «decáedelá» (Setúbal)
Luísa Ducla Soares - Escritora (Lisboa)
Maria Clementina - Actriz e poetisa (Setúbal)
Catarina J. B. Faustino - Bulhosa Livreiros (Oeiras)
Luís Alberto Machado Luciano - Médico (Setúbal)
Fernando Bento Gomes - Escritor (Lisboa)
Jorge Morais - Escritor (Lisboa)
Januário Pacheco - Professor aposentado (Lisboa)
Patrícia Feio - Livreira, Livraria Almedina (Lisboa)
Fernando Marques Mendes - Professor (Braga)
Liliana André Teles Palhinha - Livreira, Livraria Pátio das Letras (Faro)
Cristina Duque - Bulhosa Livreiros (Massamá)
Maria de Fátima Gaspar Fialho Espada - Gestora do lar (Manique de Baixo-Alcabideche - Cascais)
António Quaresma Rosa - (Setúbal)
Miguel Real - Escritor
Natércia Maria Coelho de Fraga - Professora 2º e 3º ciclos (Setúbal)
Pedro Lúcio - Livreiro (Cascais)
Sérgio Machado Letria - Coordenador na Fundação Saramago e Mediador de Leitura, blogue «O Biclho dos Livros» (Lisboa)
Madalena Romão Mira - Bibliotecária (Lisboa)
Paulo Moreiras - Escritor (Pombal)
Maria José Rodrigues - Médica (Setúbal)
Sara Oliveira - Produtora (Lisboa)
Nuno Seabra Lopes - Empresário e Consultor Editorial (Lisboa)
José António Calixto - Director Biblioteca Pública de Évora (Évora)
António Oliveira e Castro - Escritor (Setúbal)
José Carlos da Silva Carreira - Livraria Boa Leitura (Leiria)
Manuel Augusto Araújo - Arquitecto, blogue «Praça do Bocage» (Lisboa)
José Luís Chambel da Fonseca - Gestor (área comercial) (Lisboa)
Catarina Isabel Bento Soares do Sacramento Pereira - Jornalista / assistente editorial (Lisboa)
Mário Francisco Ribeiro Raposo - Professor do ensino secundário (Idanha-a-Nova)
Michele MV Hapetian - Tradutora (Ericeira)
Marcelino de Castro - Director da revista Islenha (Funchal)
Henrique Barreto Nunes - Bibliotecário ap. (antigo director Biblioteca Pública de Braga), dirigente associativo (Braga)
Ana José Carvalho - Chefe da Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Setúbal (Setúbal)
Francisco Madruga - Calendário (V. N. Gaia)
Célia Pessegueiro - Editora na Editora Nova Delphi (Funchal, Madeira)
Alexandra Rocha e Lopes - Tour Operator (New York)
Miguel Guerra - desenhador (Lisboa)
Paulo Afonso Ramos - Editor, Lua de Marfim Editora (Póvoa de Santa Iria)
Helena Marques - Advogada e leitora compulsiva de livros (Porto)
Carlos Casimiro Marques - Engenheiro químico (Setúbal)
Maria Teresa Nascimento - Professora universitária (Funchal)
Nuno David - Pintor (Setúbal)
Maria Assunção Esteves - Professora (Matosinhos)
José Carlos S. de Almeida - Professor do Ensino Secundário, autor de manuais escolares da Porto Editora (Lisboa)
Anita Vilar - Médica (Setúbal)
João Santos - Bertrand Editora (Lisboa)
Vitor Wladimiro Ferreira - Professor aposentado, director editorial e, principalmente, leitor contumaz
Guilherme Mira Godinho - Livreiro, Bulhosa Livreiros (Lisboa)
Sara Rodrigues - Antropóloga e tradutora (Lisboa)
Sara Silva - Gerente de loja (Lisboa)
M. Margarida Coutinho Teixeira - Professora (Setúbal)
Tiago Santos - Sociólogo (Oeiras)
Victor Pinho - Chefe de Divisão de Biblioteca e Arquivos (Barcelos)
Pedro Cerejo - Bibliotecário e tradutor (Lisboa)
Inês Cardoso - Historiadora (Santarém)
Luís França - Farmacêutico hospitalar, blogue «fenda» (Lisboa)
Sérgio Pereira Camecelha - Livreiro (Oeiras)
Fátima Damas - Geóloga (Lisboa)
Vera Saldanha - Jornalista (Lisboa)
José António Figueira Costa - Reformado (Funchal)
Isabel Prates - Jornalista
António Pereira - Professor de Português (Bruxelas)
Rosa Mesquita - tradutora (Bruxelas)
Raquel Bernardo - Professora de Matemática (Lisboa)
Irene Tarouca - Bibliotecária (Portela de Sacavém)
Odília Maria Leal - Professora (Palmela)
Isabel Vieira - Jornalista (Lisboa)
Joana Góis - Estudante, escola Superior de Teatro e Cinema (Lisboa)
João Gentil Saraiva - Físico e aspirante a outras coisas (Lisboa)
Teresa Pinto - Professora e investigadora (Lisboa)
Rui Miguel Duarte - Investigador (Lisboa)
José António Cabrita - Professor (Pinhal Novo)
Maria Natércia Aleida Pereira - Responsável da Biblioteca Municipal Comendador Montenegro (Lousã)
Ana Coelho
- Livreira (Lisboa)
Susana Catarina Caldeira - Professora e Coordenadora do Centro Cultural John Dos Passos (Ponta do Sol, Madeira)
Catia Maria Câmara - ex-associada Fundação Livraria Esperança (Reino Unido)
Nuno Morna - Actor, escritor (Funchal)
Elvira Cabrela Barrelas - Bibliotecária e leitora (Montemor-o-Novo)
Miguel Rodrigues - Eng. Informático (Funchal)
Fernando Morgado - Sócio-Gerente da Quinta de Fiães (Vilar de Maçada)
Laura Morgado - Sócia da Quinta de Fiães (Vilar de Maçada)
Alexandra Silva - Enóloga da Quinta de Fiães (Vila Real)
Cecília Aguiar - Socióloga (Funchal)
Natacha Nóbrega - Estudante na Universidade da Madeira (Funchal)
Leonel Correia da Silva - Gestor de projectos culturais (Funchal)
Maria Teresa Cardoso dos Santos Tavares de Góis - Bancária reformada (Porto Moniz, Madeira)
António Jorge Ganança Pereira - Arquitecto (Funchal)
Rosa Maria Silva Ferreira - Psicóloga (Funchal)
Tânia Calaça - Assistente de vendas (Reino Unido)
Pedro Miguel Duque - Senior Business Consultant at Sonaecom (Lisboa)
Maria das Dores Ferreira Pinto - Professora bibliotecária (Idanha-a-Nova)
Marileny da Silva Calaça - Doméstica (Jersey)
Maria Raposo - Publicitária (Lisboa)
António João Lopes de Amaral Guerra - Professor (Vila Verde, Braga)
Maria Paula Santos Silva - Professora (Vila Verde, Braga)
Ana Maria Pereirinha - Editora (Lisboa)
Carla Miguel - Professora (Idanha-a-Nova)
Luísa Isabel Carvalho Leitão Gomes Coelho - Professora de Português do ensino básico e secundário (Idanha-a-Nova)
Paula Cristina Lazera - Livreira em Évora "Na Sombra dos Livros"
Raquel Almeida - Profissional RVCC (Idanha-a-Nova)
João Leite Duque - desempregado (Lisboa)
Ricardo A. Lourenço Machaqueiro - Doutorando em Antropologia (Lisboa)
Carlos Manuel Manso da Silva - Economista (Lisboa)
Fernando Frazão - Reformado (S. Domingos de Rana)
Ana Paula Guimarães - Professora FCSH/UNL (Lisboa)
Patrícia Cassaca - Jornalista (Funchal)
Celeste Alves - Estudante Escola Superior de Teatro e Cinema (Lisboa)
Mariana Correia - Estudante Escola Superior de Teatro e Cinema (Lisboa)
António Neves Berbém - Ex-professor (Malveira)
Carlos Neves - Repositor (Aveiro)
Cristina Bianca Teixeira Oliveira - Tradutora, Professora de Inglês/Alemão/Português e Instrutora de Yôga (Zurich, Suiça)
Júlio Ferreira - Coordenador comercial das livrarias Quid Juris (Lisboa)
Luís Gomes - Professor, Universidade de Glasgow (Escócia, Reino Unido)
Guilherme Pires - Assistente Editorial (Lisboa)
Gabriela Gouveia - Alfarrabista (Lisboa)
Andreia Azevedo Moreira - Funcionária Pública / Escreleitora (Carcavelos)
Maria da Graça Moreira
- Comerciante de livros e discos (Sintra)
Paula Marquez Neto - Tradutora (Luxemburgo)
José Alexandre Silvério Murraças - Professor (Nazaré)
Isabel Nunes - Relações Públicas FBAUL (Lisboa)
Maria Antónia Vasconcelos - Editora, Leya (Alfragide)
Fernanda Luísa Feneja - Professora (Sines)
João Laia - Arquitecto (Beja)
Maria do Rosário Pedreira - Editora, blogue «Horas Extraordinárias» (Lisboa)
Laura Mateus Fonseca - Coordenadora editorial / Caminho - Leya (Alfragide)
Bruno Miguel Silva - Designer (Lisboa)
Joana Isabel Gouveia da Cruz Dias - Artista plástica e professora (Queluz - Sintra)
Ana Maria Correia Freitas
- Designer (Lisboa)
Pedro Foyos - Jornalista e escritor, site «casaldasletras.com» (Lisboa)
João Manuel - Bancário (Funchal - Madeira)
António Baptista Lopes - Editor, Âncora (Lisboa)
Afonso Cruz - Escritor e ilustrador (Almadafe, Sousel)
Inês Raposo - Estudante (Idanha-a-Nova)
Célia Maria Salvado Salsinha Gonçalves - Professora (Castelo Branco)
João Castela Cravo - Investigador, CITAD, Universidade Lusíada (Lisboa)
Leonardo Sabino Gontardo Freitas - Técnico de informática (Praia da Rocha)
Aníbal Guerreiro de Sousa - Leitor (Pinhal Novo)
Maria Benedita Fernandes - Socióloga (Algés-Lisboa)
Maria Adriana Nóbrega Simões - Professora aposentada (Setúbal)
Lindolfo Paiva - Músico-poeta-escritor, blogue «de patuleia ser» (Pinhal Novo - Palmela)
Paula Vieira - Livreira (Lisboa)
Miguel Peixoto - Leitor (Porto)
Catarina Pedro - Formadora (Leiria)
André Patrício - Clínico Cognitivo-Comportamental e Integrativo (Lisboa)
Rosa M. Alface - Livreira Independente (Cova da Piedade - Almada)
Carla Galhano - Farmacêutica (Lisboa)
Cristina Pinto - Designer de interiores (Funchal)
Paulo Alexandre Pereira Machado - Farmacêutico (Cartaxo)
Maria Margarida Figueira de Sousa Aguiar França Dória - Educadora de Infância Especializada em Educação Especial (Funchal)
João Carlos dos Santos de França Dória - Médico Veterinário (Funchal)
Ricardo Jorge Simões - Conductor (Jersey, Ilhas do Canal da Mancha)
Catherine Goldscheider - Educatrice Spécialisée (Yerres - France)
Ana Tavares - Professora (Lisboa)
Isabel Almeida - Professora (Lisboa)
Maria Alexandra Gouveia Francisco - Professora (Funchal)
Francisco Homem - Livreiro, Bertrand (Lisboa)
Maria João Lourenço - Tradutora
Cristina Abrantes - Controller (Lisboa)
Libório Manuel Silva - Editor, Centro Atlântico (Portugal)
Joana Jacinto - Bolseira de investigação, blogue «substante» (Lisboa)
Sofia Mirra Bernardo - Revisora principal (assistente editorial) na Leya/Caminho (Alfragide)
Patrícia Cristina dos Santos Tavares de Góis Machado - Professora (Funchal)
António Gregório - Leitor, blogue «Café Central» (Leiria)
José Oliveira - Editor (Lisboa)
Luísa Ramos - Advogada (Funchal)
José Francisco Feição - Key Account Retalho, Leya (Alfragide)
Nuno Jacinto - Compositor e professor (Porto)
João Costa Nóbrega - Arquitecto (Funchal)
Maria Augusta Silva - Jornalista e escritora, site «casaldasletras» (Lisboa)
Nuno Domingos - Investigador ICS (Lisboa)
Abel Rodrigues - Arquivista, Fundação Casa de Mateus (Vila Real)
Ernesto Rodrigues - Escritor e professor universitário (Oeiras)
Pedro Berenguer - Professor de Artes Visuais (Funchal)
Margarida Coimbra - IST Press (Lisboa)
Maria João da Rocha Afonso - Tradutora (Cascais)
Teresa Cid - Professora universitária (Lisboa)
Pedro Medina Ribeiro -
Professor (Lagos)
Maria Lídia Figueira de Sousa - Geógrafa (Lisboa)
Hugo Mamede - Jornalista, blogue «Espalha Factos» (Barreiro)
José Carlos Figueira Miranda - Médico (Lisboa)
Isabel Moura Mendes - Gestão Cultural (Edinburgh, Scotland, UK)
Maria João Saldanha - Designer (Cascais)
Raul Manuel Ribeiro Pinto Cristóvão - Professor (Setúbal)
José Nobre - Actor (Setúbal)
Lena José Câmara Pacheco - Advogada (Funchal)
José António Chocolate - Economista (Setúbal)
António Parente - Aposentado da Administração Pública (Corroios)
Rui A. Faria Viana - Director da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo)

[Referências] Cadeirão Voltaire Ainda que os Amantes se Percam... Chapéu e Bengala Pó dos Livros A-de-Mar Capítulos Soltos Livraria livreiro de sines o café dos loucos Nesta hora theca libraria A Especiaria A Ovelha Perdida Estórias com Livros Blogue do Plano Nacional de Leitura irmão lúcia substante

«Tenho 165 anos de prática de livraria - 50 do meu avô, 50 do meu pai e 65 meus.»

Jorge Figueira de Sousa

«Um livro é sempre novidade para quem o vê pela primeira vez, mesmo que tenha sido publicado há 15 ou 20 anos.»

Jorge Figueira de Sousa


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A REVOLTA DAS FONTES (VI)

1

«BRILHANTE» E «MAGNÍFICO»

Registado ontem às 17:15, só à noite pude ver este comentário, aqui no ISTO NÃO FICA ASSIM!, no qual imediatamente sublinhei e não gostaria de sublinhar só para mim estas palavras:

«Estou a divulgar amplamente o "comunicado" brilhante do Jaime Bulhosa, que sucintamente diz tudo o que é essencial»;

«E deixo também os meus parabéns à Isabel Castanheira pelo magnífico trabalho e legado que a todos nós vai inspirando (…)».

Adjectivos de aplaudir e voltar a aplaudir, por bem empregues: «brilhante» e «magnífico».

Entretanto, este receio que sempre tenho da facilidade com que nos blogues se pode passar ao largo dos comentários...

É evidente que li também os outros comentários e vir aqui em post sublinhar este, não é para dizer que se podem dispensar os «comentários». De quem preferir e quando for preferível, o meu voto é de que apareçam entre nós, os que andamos neste barco, muitos comentários. Bem precisamos. Mas…talvez os postes tenham mais impacto. Talvez… Mesmo sendo simples comentários e não mais do que isso, como no meu caso neste momento.

Terei razão?
Por exemplo, neste mesmo comentário de Sandra Simões (podia também ser um dos outros)…
Vamos reler…

Para além das referências que sublinhei, aos textos de Jaime Bulhosa e Isabel Castanheira e à sua ampla divulgação, a divulgação a que também e no mesmo dia vem juntar-se o http://blogtailors.com/, não se está a ver que muito mais longe vai este comentário?
Quero crer que finalmente e em colectivo se vai tocando nos pontos nevrálgicos.
Ainda bem!

2

«DE LAMÚRIAS»

«ATÉ SE RIEM»

E este prazer de o celebrado livreiro Antero Braga, em amizade e solidariedade, nos trazer uma sua posição que imediatamente vem lembrar a que tomou numa entrevista que deu por altura da Feira do Livro do Porto?!

A situação económico-financeira está num ponto, feliz-infelizmente, que só os tolos e os loucos é que podem agora dar-se ao luxo de rir.

Evidentemente que também as crianças, esse nosso único futuro, a não ser que pertençam ao enorme grupo daquelas que a morte por fome e outras horrorosas condições de vida todos os dias nos obriga a ter vergonha da nossa impotência perante a iniquidade... Só para dizer que não se duvida de que as nossas lamúrias têm de ir para mais longe e com muita gente que por aí anda pior do que nós.

Acho que o meu lugar é o do lado dos loucos.

Acho porquê?

É assim um bocado..., podia passar à frente, mas se hoje não me arriscar a dizer o que penso, mesmo que tenha de arrepender-me num incerto amanhã, o bocado de estupidez ainda é maior, total.

Estou de acordo em que não é com lamúrias que os problemas se resolvem. Aquela das Selecções da juventude sempre a recordo com gosto: «Rir é o melhor remédio».

E agora aqui vai a razão fundamental de sentir que dizer o que penso «é assim um bocado…».

De mim para mim já venho há tempos a esfregar as mãos pelo novo mundo que está a germinar no meio da podridão. Começamos a saber que as finanças se ocultaram no conceito de economia, para a dominar em vez de servir. Que a rentabilidade a que chegou o dinheiro dá pelo nome de usura, uma actividade desde sempre considerada crime e que absorveu até limites de loucura o valor das coisas. Não há já «inter pares» o cuidado de evitar dizer publicamente que as leis estão mal feitas, que não há neste nosso mundo políticos que sejam líderes à altura. E mais e mais, mais, mais, mais… Não vai ser o meu tempo? Não vou na tristeza que infunde ler o final de A Criação do Mundo de M. Torga.

Não posso evitar este sentimento de confiança no processo da evolução que numa visão de longo prazo foi sempre positivo. As grandes crises! Cheio delas, o processo de evolução geológica, biológica, histórica!

Não me ponho a esfregar as mãos, porém, nem por ódio aos ricos nem por amor aos pobres. Uns certamente mais coitados do que outros, mas todos nós o quê, perante o nosso passado e o nosso futuro? Sei que o meu lugar neste mundo cão é absolutamente insignificante e que tudo o que eu sinta, pense, diga ou faça em nada altera a realidade. Nem preciso de ir a nenhum espelho para perceber que esta é a maneira realista de olhar para o meu umbigo.

Riam-se os ricos, enquanto o alfinete não lhes fura o balão. Eu já vi e fez-me baixar a cabeça em aprendizagem de pesada lição.

Chorem os pobres, pois o grito nem sempre nem para sempre se pode negar à dor. Não era para aqui, pois não? Pouco protocolar. Ou condizente com a natureza humana que também nós trazemos para a livraria diariamente e donde, está é verdade, depende muito do que fazemos e ambicionamos fazer? «Um livreiro não vende livros, vende muito mais…».

Deixem-me dizer quanto aprecio estas palavras:

«Compro, vendo e pago, daí que nada temo»;

E quanto respeito a sabedoria das que se lhe seguem:

«Na vida nada é eterno. Aguardar o futuro é o melhor. Grandes impérios também caem, a história prova isso.»

Mas não nos conformemos, nem nos sujeitemos, nem deixemos que os tolos ignorem que amanhã alguém se vai rir deles. Digo tolos como quem diz gente perigosa, arrogante e má, uma estirpe difusa não só entre os que governam, mas também entre os governados.

Será que me distanciei demasiado e indiscretamente do que nos diz respeito?

Talvez seja o caso, por isso vou sair e já volto com outro casaco. Até porque é meu desejo que muita gente venha ao palco e assim me retarde uma nova entrada.

M. Medeiros - Culsete